Impactos do uso de aparelhos ortodônticos na qualidade de vida de crianças e adolescentes - revisão sistemática e meta-análise

  • Guilherme Henrique Borges Henrique Borges Universidade de Uberaba
  • Maria Tereza Campos VIDIGAL
  • Caio Melo MESQUITA
  • Walbert de Andrade VIEIRA
  • Gustavo G. NASCIMENTO
  • Matheus Melo PITHO
  • Cauane BLUMENBERG
  • Luiz Renato Paranhos Universidade Federal de Uberlândia - UFU https://orcid.org/0000-0002-7599-0120
Palavras-chave: Adolescente, Ortodontistas, Qualidade de vida

Resumo

Ao analisar a prevalência global da necessidade de cuidados de saúde bucal, 46% dos adolescentes necessitam de tratamento ortodôntico(1). Apenas 25% das crianças apresentam oclusão normal durante a dentição decídua e aproximadamente 40% dos pacientes ortodônticos procuram terapia para corrigir maloclusões na adolescência, motivadas por aspectos funcionais, estéticas, psicológicos ou sociais(2). Além disso, a realização de tratamento ortodôntico antes dos 18 anos pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes ao final do tratamento(3). Embora existam revisões sistemáticas prévias sobre os impactos na qualidade de vida relacionada à saúde bucal (OHRQoL) de crianças e adolescentes após o tratamento da ortodontia, não há definição para a magnitude desses impactos durante a terapia. Logo, o objetivo deste trabalho e analisar sistematicamente a literatura sobre mudanças na qualidade de vida de crianças e adolescentes durante o tratamento ortodôntico. Os métodos foram relatados de acordo com os Relatórios Preferenciais para Protocolos de Revisão Sistemática e Meta-Análise (PRISMA-P) e registrado no Banco de Dados do Registro Prospectivo Internacional de Revisões Sistemáticas (PROSPERO) sob o número CRD42021234407 (http://www.crd.york.ac.uk/PROSPERO)(4). Esta revisão sistemática foi relatada de acordo com o Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysiss (PRISMA) e realizada de acordo com o Manual do Instituto Joanna Briggs (JBI). Uma pesquisa eletrônica foi realizada em seis bases de dados principais (MedLine via PubMed, Scopus, Embase, SciELO, Web of Science e LILACS) e duas bases de dados adicionais (OpenGrey e OATD) para capturar parcialmente a "literatura cinza". Assim, a estratégia do PICO foi utilizada para identificar ensaios clínicos randomizados ou não randomizados que avaliassem o OHRQoL antes e durante o tratamento ortodôntico de crianças e adolescentes, sem a restrição da linguagem de publicação e do ano. A análise e coleta dos dados foram feitas por dois revisores que extraíram os dados e avaliaram o risco individual de viés dos estudos elegíveis com uma ferramenta JBI. Foram realizadas meta-análises de efeitos aleatórios para calcular a diferença média padronizada dos escores de OHRQoL uma semana e uma, três, seis e 12 meses após o início do tratamento ortodôntico. A certeza das evidências foi classificada de acordo com a ferramenta GRADE. Conseguinte, foram encontrados 2345 estudos dos quais 20 atenderam aos critérios de elegibilidade. Dezenove estudos apresentaram baixo risco de viés, e um estudo apresentou risco moderado de viés. Os escores de OHRQoL foram estatisticamente semelhantes quando comparavam o tempo antes de iniciar o tratamento ortodôntico com as outras cinco vezes (uma semana e uma, três, seis e 12 meses) após o início do tratamento. Em resumo, apesar de apresentar certeza muito baixa, as evidências sugerem que o uso de aparelhos ortodônticos não parece ter um impacto negativo significativo durante o primeiro ano de tratamento.

Publicado
28-12-2021
Como Citar
Borges, G. H. B., VIDIGAL, M. T., MESQUITA, C., VIEIRA, W., NASCIMENTO, G. G., PITHO, M., BLUMENBERG, C., & Paranhos, L. R. (2021). Impactos do uso de aparelhos ortodônticos na qualidade de vida de crianças e adolescentes - revisão sistemática e meta-análise. Revista De Odontologia Contemporânea, 5(1 Supl 2), 56-57. https://doi.org/10.31991/v5n1sup22021ortodontia